sexta-feira, 25 de junho de 2010

Pesquisa revela preocupação mundial com efeitos do aquecimento global


Pessoas em todo o mundo se sentem ameçadas pelas mudanças climáticas. Ao mesmo tempo, cresce o número dos que não expressam preocupação alguma. Cobertura da mídia sobre o aquecimento mundial é tema do Global Media Forum.


A percepção de que as mudanças climáticas representam uma ameaça ao planeta continua elevada entre a população mundial, segundo um estudo divulgado pela Deutsche Welle e pela empresa de pesquisas de mercado Synovate nesta segunda-feira (21/06), em Bonn, durante a abertura do fórum de debates Global Media Forum (GMF).

Nas três pesquisas já realizadas – em 2007, 2008 e 2009 – o percentual de pessoas que se disseram "muito preocupadas" com as mudanças climáticas se manteve estável: 30% em 2010 e 2008 e 29% em 2007.

Outras 39% demonstraram "alguma preocupação" na pesquisa de 2010, o que indica que a ampla maioria da população global (69%, de acordo com o levantamento) está em menor ou maior grau preocupada com os efeitos que o aquecimento do planeta trará.

Ao mesmo tempo cresceu o número de pessoas que disseram não ter preocupação alguma com as consequências do aquecimento global, por considerá-lo parte de um ciclo natural de acontecimentos. Elas representavam 4% na pesquisa de 2008 e são 9% na consulta de 2010.



Papel da mídia

"Muitas pessoas ainda não reconheceram o perigo", alertou o diretor-geral da Deutsche Welle, Erik Bettermann, durante a apresentação da pesquisa. Ele cobrou da mídia mundial uma cobertura objetiva e clara sobre o assunto. "A mídia deve apresentar temas fundamentais para o futuro [da humanidade] da forma mais objetiva e clara possível." Para ele, os jornalistas devem fomentar nas pessoas a consciência de que todos podem fazer algo.
O secretário-executivo da ONU para mudanças climáticas, Yvo de Boer, pediu à mídia maior destaque para os riscos de não se fazer nada diante da ameaça do aquecimento global. Segundo ele, o mundo está diante de uma encruzilhada: ou continua usando combustíveis fósseis prejudiciais ao clima do planeta ou opta por tecnologias "verdes" para cortar emissões de gases do efeito estufa.

O GMF é um fórum de debates organizado anualmente pela Deutsche Welle e discute o papel da mídia em questões centrais para o futuro da humanidade. O evento deste ano é dedicado às mudanças climáticas, sob o título "The heat is on – mudanças climáticas e a mídia". Participam cerca de 1.500 pessoas de quase cem países.

Para o professor de jornalismo Holger Wormer, da Universidade de Dortmund, as mudanças climáticas perderam espaço na cobertura da imprensa mundial. "Temos agora muitas outras coisas na nossa agenda, coisas que têm hoje muito mais impacto do que há três anos, como por exemplo a crise financeira."

Segundo ele, temas como a crise colocaram a cobertura sobre as mudanças climáticas em segundo plano. Além disso, segundo ele, surgiram outros temas ambientais importantes, como o vazamento de petróleo no Golfo do México e, na Alemanha, o debate sobre energia nuclear.


Brasileiros pagariam mais por produtos "ecológicos"

Para a realização da pesquisa, a Synovate consultou 13.444 pessoas em 18 países, entre eles Brasil, Alemanha, Estados Unidos, França, Rússia, China e África do Sul, no período entre 23 de fevereiro e 30 de abril de 2010.

As altas temperaturas são apontadas como a pior consequência das mudanças climáticas por 31% dos entrevistados. Em seguida vêm a desertificação e a seca, com 10% cada, depois a piora das condições de saúde e o aumento de doenças, com 9%.

A pesquisa da Synovate traz números interessantes sobre o Brasil. Conforme o estudo, os brasileiros estão dispostos a pagar mais por produtos que não agridam o meio ambiente. A maior parte dos entrevistados, 31%, disse que pagaria até 9% mais, e 19% concordariam com preços até 19% mais altos. Já 10% declararam não ter vontade de pagar mais.

Os brasileiros também disseram que os investimentos em tecnologias verdes vão aquecer a economia: 84% dos entrevistados no Brasil concordam com essa afirmação e apenas 11% discordam. Na Alemanha, os percentuais são, respectivamente, 50% e 22%. Nos Estados Unidos, 51% e 16%.

quarta-feira, 16 de junho de 2010

Fezes de baleia ajudam no combate ao aquecimento global


Anteriormente os cientistas acusavam os cetáceos como culpados porque, na respiração, expiram dióxido de carbono (CO2)


Paris - As baleias cachalote do Oceano Austral são aliados inesperados na luta contra o aquecimento global, por removerem o carbono equivalente ao emitido por 40 mil carros a cada ano graças a suas fezes, revela um estudo que será publicado esta quarta-feira no periódico britânico Proceedings of the Royal Society B.

Anteriormente os cientistas acusavam os cetáceos como culpados porque, na respiração, expiram dióxido de carbono (CO2), o tipo mais comum de gás de efeito estufa.

Mas esta era apenas uma análise parcial, demonstra o novo estudo.

Biólogos australianos calcularam que as cerca de 12 mil baleias cachalotes do Oceano Austral defecam, cada uma, cerca de 50 toneladas de ferro no mar a cada ano, após digerirem os peixes e lulas, que são a base de sua dieta.

O ferro é um excelente alimento para o fitoplâncton - plantas marinhas que vivem perto da superfície do oceano e que tiram CO2 da atmosfera através da fotossíntese.

O Oceano Austral é rico em nitrogênio e pobre em ferro, que é essencial ao fitoplâncton.

Como resultado desta fertilização orgânica do ambiente marinho, as baleias ajudam a remover 400.000 toneladas de carbono a cada ano, duas vezes mais que as 200 mil toneladas de CO2 que elas liberam através da expiração.

Comparativamente, 200 mil toneladas de CO2 equivalem às emissões de quase 40.000 carros de passageiros, segundo estimativas do site da agência ambiental americana (EPA).

Segundo a EPA, com base em um cálculo feito em 2005, um veículo de passageiros que roda 20 mil quilômetros por ano emite mais de cinco toneladas de CO2 ou carbono equivalente ao ano.

As fezes das baleias são muito eficazes porque são liberadas em estado líquido e perto da superfície marinha, antes de os mamíferos mergulharem, destaca o artigo.

A pesca industrial da baleia não só ameaça seriamente as cachalotes austrais, como também compromete um amplo sequestro de carbono, acrescentou.

Antes da pesca industrial de baleias, a população da espécie era cerca de 10 vezes maior, o que significa que dois milhões de toneladas de CO2 eram removidas anualmente, segundo o artigo.

Os cientistas suspeitam que devido ao fato de as cachalotes se reunirem em áreas específicas do Oceano Austral, há um vínculo claro entre a disponibilidade de alimentos e as fezes dos cetáceos.

Isto pode explicar o "paradoxo krill", acreditam. Tempos atrás, os cientistas descobriram que quando as baleias-minke são mortas, a quantidade de krill, minúsculos crustáceos, nesta área declinam, afetando toda a cadeia alimentar.

O estudo foi conduzido por Trish Lavery, da Escola de Estudos Biológicos da Universidade Flinders, em Adelaide (Austrália).

O futuro de baleias cachalote e outras espécies será debatido na próxima semana em Agadir, Marrocos, onde a Comissão Baleeira Internacional (CBI) discutirá um plano para relaxar uma moratória de 24 anos na pesca comercial à baleia.