sexta-feira, 12 de fevereiro de 2010

Cientistas britânicos ocultam erros em dados sobre mudança climática


Londres, 3 fev (EFE).- Pesquisadores da Universidade de East Anglia (Reino Unido), um dos centros acadêmicos de maior prestígio em mudança climática, ocultaram erros na compilação de dados que foram fundamentais para consolidar a teoria da influência humana no aquecimento global. Foi o que informou ontem o jornal britânico "The Guardian", que leva novamente ao centro da polêmica o professor Phil Jones, o responsável da Unidade de Mudança Climática (CRU) da citada Universidade, em torno da que se gerou o chamado "Climagate" às vésperas da cúpula de Copenhague realizada em dezembro passado.O roubo de uma série de e-mails a Jones revelou, segundo os céticos sobre a mudança climática, que foram ocultadas informações ao Painel Intergovernamental de Mudanças Climáticas da ONU (IPCC) para não criar dúvidas sobre o efeito do dióxido de carbono (CO2) na temperatura do planeta.O que "The Guardian" acrescenta agora é que milhares de e-mails e documentos da Universidade que também foram pirateados demonstram que uma série de medições de temperaturas feitas em estações meteorológicas na China continha graves erros que foram ocultados de maneira intencional.Segundo essa informação, Jones não divulgou os erros cometidos por alguns de seus colaboradores, o professor Wei-Chyung Wang, da Universidade de Albany (Estados Unidos), apesar de outros colegas terem lhe advertido que tinham se equivocado.Essas supostas tentativas de ocultar erros nos dados sobre temperatura na China demonstram, segundo o jornal britânico, a relação entre o "Climagate" e o IPCC, já que um estudo baseado nessas medições equivocadas contribuiu para que o IPCC advertisse sobre os perigos imediatos da mudança climática.A informação chega em um momento delicado para o IPCC, acusado também recentemente de não ter comprovado com o devido rigor os dados de uma pesquisa que previa que todas geleiras da cordilheira do Himalaia derreteriam até 2035."The Guardian" ressalta que a Universidade de East Anglia rejeitou sistematicamente os pedidos de divulgar os documentos elaborados pela Unidade de Mudança Climática dirigida por Jones até dezembro.Os dados em questão são uma série histórica obtida em estações meteorológicas na China sobre as variações de temperatura no último meio século. Eles apareceram pela primeira vez publicados na revista científica "Nature" e foram utilizados pelo IPCC como um dos elementos-chave de sua hipótese.A metade das estações estava situada em zonas rurais e a outra metade em zonas urbanas. A conclusão do estudo publicado em 1990 foi que o aumento das temperaturas registrado na China era consequência de um fenômeno global de mudança climática e não do aquecimento produzido pelas cidades.O IPCC se baseou nestes dados para concluir em seu relatório de 2007 que a influência das grandes aglomerações urbanas no aumento da temperatura da atmosfera é pequena.O que revelam também os e-mails aos quais teve acesso "The Guardian" é que o ex-diretor da Unidade de Mudança Climática da Universidade de East Anglia Tom Wigley pôs sérias dúvidas sobre o fundamento científico do estudo, divisor de águas nas pesquisas sobre mudança climática.Em uma das mensagens enviadas naquela época, Wigley perguntava a Jones: "Você confia plenamente em W-CW (Wang). Por que, por que e por que não disse a ele no início (que houve erros no processo de registrar as mudanças de temperatura)?".O ministro do Meio Ambiente britânico, Ed Miliband, comentou sobre a polêmica neste domingo em declarações a "The Observer". Ele alertou contra os 'cantos da sereia' que negam que a mudança climática seja uma realidade."Acho um erro que, quando se comete um equívoco, este seja aproveitado de algum modo para impedir uma evidência arrasadora", disse o ministro.

sexta-feira, 5 de fevereiro de 2010

Nova comissão analisa vazamento de e-mails sobre aquecimento global


O pesquisador Michael E. Mann está às voltas com a acusação de ter minado a fé pública na ciência do clima



Washington - Uma comissão acadêmica de inquérito apurou longamente a acusação de má conduta feita a um climatologista da Universidade do Estado de Pensilvânia, mas será convocado um segundo júri para determinar o quanto o comportamento do pesquisador minou a fé pública na ciência da mudança climática, comunicou a Universidade.

O cientista, Dr. Michael E. Mann, esteve no centro de uma disputa que surgiu com a divulgação não-autorizada de mais de mil mensagens de e-mails de funcionários da Universidade de East Anglia, na Inglaterra, sede de uma das primeiras unidades de pesquisa climática do mundo.

O inquérito da Universidade de Pensilvânia, conduzido por três membros eméritos e administradores da instituição, absolveu o pesquisador das acusações mais sérias contra ele, mas não parece ser o suficiente para calar a controvérsia sobre a ciência do clima.

Surgiram novos questionamentos sobre o trabalho do Painel Intergovernamental de Mudanças Climáticas, do qual Mann era colaborador, desde que as mensagens foram espalhadas, em novembro passado.

A comissão da faculdade alegou, ao anunciar seus resultados, não ter se debruçado sobre a ciência do clima que, segundo a nota divulgada, “é um problema que deve ser deixado para os profissionais do setor”.

Mann foi mencionado em 377 e-mails, incluindo alguns em que as críticas sugerem que ele havia manipulado ou destruído dados para fortalecer sua tese de que a atividade humana estava realmente mudando o clima.

Na mensagem mais conhecida, ele se refere a um “truque” (trick, em inglês) em um gráfico produzido uma década atrás, mostrando mil anos de temperatura estável na superfície da Terra seguidos de uma curva ascendente acentuada no século 20, aparentemente correspondendo a um aumento nos níveis de dióxido de carbono na atmosfera. O gráfico, chamado de “bastão de hockey”, tornou-se um ícone para os ambientalistas. E foi um fator que influenciou um relatório da ONU de 2001 concluindo que os gases de efeito estufa provavelmente era os responsáveis pela maior parte do aquecimento que vem sendo observado desde 1950.

Em algumas mensagens, Mann se refere a um conjunto de dados de diferentes fontes como um truque. ''Os críticos se centraram no uso do termo e disseram que era uma evidência de que ele e outros cientistas haviam manipulado os dados para chegar às conclusões que queriam. Mas a comissão de inquérito disse que o termo “trick” era usado pelos cientistas e matemáticos para se referir a um “insight”, uma habilidade que permite a resolução de um problema.

As mensagens também continham sugestões de que Mann teria escondido ou destruído mensagens de e-mails e outras informações relativas a um relatório sobre mudanças climáticas para evitar que outros cientistas o questionassem. Foi o próprio pesquisador quem produziu o material em questão (os e-mails), mas a Universidade da Pensilvânia o inocentou das acusações.

“Três das quarto acusações foram indeferidas. Ainda que não haja evidência para consubstanciar a quarta alegação, a administração da Universidade achou melhor convocar um comitê separado, formado por vários cientistas, para resolver qualquer questão remanescente sobre procedimentos acadêmicos” ele escreveu, e completou: “ Era isso que eu esperava, é a “vingança” que eu queria, já que não fiz nada de errado”.

O senador republicano James M. Inhofe, um cético do clima, requisitou uma investigação independente. “Precisamos assegurar aos americanos que seus impostos estão financiando objetivos científicos e não agendas políticas”, disse ele.

domingo, 24 de janeiro de 2010

Mundo está a caminho de ficar 6C mais quente, diz pesquisa


Novos dados sobre as emissões mundiais de CO2 (dióxido de carbono, principal gás causador do efeito estufa) indicam que o planeta está a caminho de esquentar 6C neste século, se não houver um esforço concentrado para diminuir a queima de combustíveis fósseis."Existe um abismo claro entre o caminho que estamos seguindo e o que é necessário para limitar o aquecimento global a 2C [nível considerado relativamente seguro por especialistas]", diz Corinne Le Quéré, pesquisadora da Universidade de East Anglia (Reino Unido) e coautora do novo estudo na revista científica "Nature Geoscience". Na atual década, a principal responsável por puxar para cima as emissões é a China, com seu crescimento industrial alimentado pelo carvão mineral. Hoje, o país é o maior emissor do planeta.No entanto, os EUA ainda respondem pelas maiores emissões per capita: 18 toneladas, contra 5,2 toneladas dos chineses (a média mundial é de 4,8 toneladas). Desde 1982, a humanidade produziu 715,3 trilhões de toneladas de gás carbônico, quantidade que equivale ao total de dióxido de carbono emitido por todas as civilizações que existiram no mundo antes disso.

sexta-feira, 15 de janeiro de 2010

Emissões de metano do Ártico saltam 30% em 4 anos


Esta foi a região do mundo que teve maior aumento de emissão; fato pode indicar descongelamento.



OSLO - As emissões de um potente gás causador do efeito estufa pela região ártica saltou 30% em anos recentes, num preocupante sinal de que o aquecimento global poderá liberar enormes estoques de metano aprisionados no solo congelado, dizem cientistas.

Ártico esquenta enquanto hemisfério norte segue congelando

"Ainda é cedo para dizer que se trata de uma tendência, mas se continuar desse jeito, haverá sérias implicações", disse Paul Palmer, pesquisador da Universidade de Edimburgo e que está entre os autores do estudo sobre emissão de metano por áreas alagáveis.

A elevação de 30,6% nas emissões do Ártico, no período 2003 a 2007, para cerca de 4,2 milhões de toneladas, foi o maior ganho porcentual para qualquer região alagável, segundo trabalho publicado na revista científica Science. O estudo foi feito em conjunto por pesquisadores da Escócia e Holanda.

As áreas alagáveis do Ártico respondem por a apenas 2% das emissões globais de metano desse tipo de local, que é mais comum nos trópicos. Mas muitos especialistas apontam para o risco de que a mudança climática venha a derreter o permafrost - o solo congelado - que retém bilhões de toneladas de metano, um gás causador do efeito estufa mais potente que o dióxido de carbono.

"É uma advertência que os cientistas vêm dando há algum tempo: o que estamos vendo são sinais do aquecimento global", disse Palmer. A maior parte das áreas alagáveis do Ártico estão na Sibéria e no Canadá.

Entre os gases do efeito estufa gerados por atividade humana, o metano é o que mais contribui para o aquecimento global, depois do dióxido de carbono. Embora seja mais potente, o metano é produzido em muito menor quantidade.

As temperaturas do Ártico estão subindo muito mais rapidamente que a média global. O recuo das capas de gelo expõe o solo e a água, mais escuros e, por isso, capazes de reter mais calor, acelerando o processo.

As emissões de metano globais têm sido imprevisíveis - o estudo destaca que as concentrações na atmosfera mantiveram-se relativamente estáveis de 1999 a 2006, com um crescimento renovado em 2007. Os anos de estabilidade ficaram "largamente inexplicados", diz o texto na Science.

As emissões de áreas alagáveis representam cerca de um terço das emissões globais de metano, de 540 milhões de toneladas, disse Palmer. Outras fontes significativas são combustíveis fósseis, gado e plantações de arroz.

domingo, 10 de janeiro de 2010

Terra e Humanidade: uma comunidade de destino


Temos que começar o ano com esperança pois urge fazer frente ao clima de revolta e de frustração que significou a COP 15 de Copenhague. Seguramente, o aquecimento global comporta graves consequências. No entanto, numa perspectiva mais filosofante, ele não se destinaria a destruir o projeto planetário humano mas obriga-lo a elevar-se a um patamar mais alto para que seja realmente planetário. Urge passar do local ao global e do nacional ao planetário. Se olharmos para trás, para o processo da antropogênese, podemos seguramente dizer: a crise atual, como as anteriores, não nos levará à morte mas à uma integração necessária da Terra com a Humanidade. Será a geosociedade. Neste caso, estaríamos então, face a um sol nascente e não a um sol poente. Tal fato objetivo comporta um dado subjetivo: a irrupção da consciência planetária com a percepção de que formamos uma única espécie, ocupando uma casa comum com a qual formamos uma comunidade de destino. Isso nunca ocorreu antes e constitui o novo da atual fase histórica. Inegavelmente há um processo em curso que já tem bilhões de anos: a ascensão rumo à consciência. A partir de geosfera (Terra) surgiu a hidrosfera (água), em seguida a litosfera (continentes), posteriormente a biosfera (vida), a antropofesfera (ser humano) e para os cristãos a cristosfera (Cristo). Agora estaríamos na iminência de outro salto na evolução: a irrupção da noosfera que supõe o encontro de todos os povos num único lugar, vale dizer, no planeta Terra e com a consciência planetária comum. Noosfera como a palavra sugere (nous em grego significa mente e inteligência), expressa a convergência de mentes e de corações dando origem a uma unidade mais alta e complexa. O que, entretanto, nos falta é uma Declaração Universal do Bem Comum da Terra e da Humanidade que coordene as consciências e faça convergir as diferentes políticas. Até agora, nos limitávamos a pensar no bem comum de cada pais. Alargamos o horizonte ao propor uma Carta dos Direitos Humanos. Esta foi a grande luta cultural do século XX. Mas agora emerge a preocupação pela Humanidade como um todo e pela Terra, entendida não como algo inerte, mas como um superorganismo vivo do qual nós humanos somos sua expressão consciente. Como garantir os direitos da Terra junto com os da Humanidade? A Carta da Terra surgida nos inícios do século XXI procura atender a esta demanda. A crise global nos está exigindo uma governança global para coordenar soluções globais para problemas globais. Oxalá não surjam centros totalitários de comando mas uma rede de centros multidimensionais de observação, de análise, de pensamento e de direção visando o bem viver geral. Trata-se apenas do começo de uma nova etapa da história, a etapa da Terra unida com a Humanidade (que é a expressão consciente da Terra). Ou a etapa da Humanidade (parte da Terra) unida à própria Terra, constituindo juntas uma única entidade una e diversa chamada de Gaia ou de Grande Mãe. Estamos vivendo agora a idade de ferro da noosfera, cheia de contradições. Mas mesmo assim, cremos que todas as forças do universo conspiram para que ela se firme. Para ela está marchando nosso sistema solar, quem sabe a inteira galáxia e até este tipo de universo, pois, segundo a teoria das cordas, pode haver outros, paralelos. Ela é frágil e vulnerável mas carregada de novas energias, capazes de moldar um novo futuro. Talvez a noosfera seja agora somente uma chama tremulante. Mas ela representa o que deve ser. E o que deve ser tem força. Tende a se realizar.

domingo, 3 de janeiro de 2010

Perspectivas 2010: cariocas podem ter um meio ambiente melhor

RIO - Há um mês, às vésperas da Conferência de Copenhague, a Prefeitura do Rio de Janeiro assumiu o compromisso de enfrentar, aqui, o impacto do aquecimento global. Foi a primeira cidade brasileira a passar recibo, concretamente, de um drama mundial que, diagnosticado há quatro décadas, ainda desafia a inteligência e o bom senso da comunidade internacional.
O programa Rio Sustentável se propõe a reduzir em 8% até 2012 as emissões de poluentes em relação aos patamares de 2005. Até a Olimpíada de 2016, serão 16% de redução, chegando a 20% em 2020. O Rio Como Vamos é co-signatário deste compromisso, encarregado de monitorar o cumprimento das metas estabelecidas. Essas metas incluem o fechamento do aterro sanitário de Gramacho, em Duque de Caxias, o incentivo ao uso de energia limpa e as mudanças no sistema viário que substituirá parte dos ônibus a diesel por veículos movidos a biocombustível.
São boas notícias, são políticas que fazem sentido, há muito reivindicadas pelos ambientalistas. Mas nenhum programa governamental – e essas metas são de responsabilidade do poder público – será suficiente se não houver um envolvimento decisivo da sociedade carioca. Nenhum governo resolverá os problemas da cidade sem a participação ativa da população. Isso vale para todas as áreas da administração pública mas, sobretudo, para o que concerne ao meio ambiente.
Tomemos um exemplo: o ar poluído, carregado de CO2, agrava as doenças respiratórias. O Sistema de Indicadores do RCV (Rio Como Vamos), baseado em dados do SUS, mostra que a incidência de internações de crianças com infecção respiratória aguda, nos hospitais do Rio, é impressionante.
Ora, todos ajudamos a poluir o ar. O motor de um carro desregulado contribui para isto. Regule o motor de seu carro. Plante uma árvore, elas ajudam a filtrar o ar que respiramos. Não jogue detritos nas ruas e, em casa, separe o lixo para reciclagem. São gestos simples, que estão ao alcance de todos, que melhoram, e muito, a qualidade de vida na cidade.
Copenhague foi uma decepção. O que só aumenta o sentido de urgência e a importância da participação de cada um. Não dá para esperar mais quatro décadas até que os governos se ponham de acordo. É preciso entender, de uma vez por todas, que nada mudará sem que cada um chame a si a responsabilidade pela mudança.
Esse é o verdadeiro rosto da política contemporânea. Uma política enraizada no cotidiano. Esse é o rosto do Rio Como Vamos, que aposta na construção de uma cultura cidadã, que não dependa apenas de ações governamentais – ainda que as exija e as monitore. Uma cultura capaz, ela mesma, de produzir resultados no dia a dia.
A população carioca já entendeu a importância de cobrar das autoridades um governo com metas. Pouco a pouco, a sociedade começa a se tornar atenta à necessidade de monitorar o seu cumprimento. Resta agora interiorizar a convicção que cada gesto nosso, no cotidiano, nunca é inofensivo, é para o bem ou para o mal da cidade. Contribui ou inviabiliza o cumprimento dessas metas. E sempre será um gesto político.

segunda-feira, 28 de dezembro de 2009

Após criticas EUA e China falam em acordos para COP-15 em Copenhagen


iFolha de S. Paulo - Raul Juste Lores e Claudio AngeloEstados Unidos e China, os dois maiores poluidores do planeta, anunciaram ontem em Pequim que aceitam estipular metas para emissão de gases causadores do efeito estufa.O comunicado dos presidentes Barack Obama e Hu Jintao foi feito dois dias depois que as duas potências decidiram enterrar a cúpula do clima de Copenhague, marcada para dezembro, propondo que seu resultado seja só um acordo político, sem efeito legal.Ontem, Obama afirmou que não quer só uma declaração de intenções em Copenhague."Nossa intenção não é de um acordo parcial ou uma declaração politica, mas sim um acordo abrangente, que tenha efeitos imediatos", disse Obama, em entrevista coletiva com Hu.Não deu mais detalhes e perguntas não foram permitidas.No comunicado conjunto, os presidentes disseram que o acordo em Copenhague deve incluir metas para redução de emissão de gases-estufa para os países desenvolvidos e um plano de ação para reduzir as emissões de países em desenvolvimento. E que o diálogo entre os dois países inclui assistência financeira a países em desenvolvimento e a promoção de novas tecnologias, além de proteção a florestas tropicais.Hu disse que China e EUA concordaram e expandir a cooperação em energia e mudança climática para "ajudar a produzir um resultado positivo na conferência de Copenhague".A China e os EUA respondem, juntos, por 40% das emissões de gás carbônico do globo. Sem compromissos ambiciosos de redução por parte de ambos, nenhum acordo terá efeito.E os EUA não estão indo a lugar nenhum. Apesar de ter feito do clima uma prioridade de sua campanha, Obama depende, para agir, da aprovação da lei de mudanças climáticas pelo Senado, que só deve acontecer em 2010. Sem EUA, não há China.Além disso, há outros obstáculos ao acordo, principalmente no tocante ao financiamento do combate à mudança climática nos países pobres.A própria anfitriã da cúpula do clima, a Dinamarca, sucumbiu. Seu premiê, Lars Rasmussen, propôs um acordo "politicamente vinculante", que deixaria o pacto legal para 2010.Ontem, no final de uma reunião de ministros de 44 países em Copenhague, que incluiu o Brasil, a ministra do Clima da Dinamarca, Connie Hedegaard, fez as vezes de otimista."Houve um mal-entendido por alguns de que estivéssemos querendo um acordo parcial. Não é nosso plano. Nós queremos entregar respostas para todos os problemas principais, e também queremos um mandato para tentar dar forma legal a tudo isso", afirmou. Hedegaard citou como exemplo de vontade política a meta brasilleira de cortar até 39% das emissões em relação à trajetória em 2020."Um acordo político não sobreviverá à próxima eleição, à próxima recessão ou ao próximo desastre natural", criticou Kim Carstensen, do WWF. "O que nós precisamos é de um acordo legal." Segundo ele, há tempo. "Os rumores sobre a morte de Copenhague foram enormemente exagerados."Mas outros países ricos já aceitaram o acordo político."Nós queremos um tratado legalmente vinculante, queremos obtê-lo em Copenhague. Mas, na prática, isso não será possível em Copenhague, então queremos números e metas de redução de emissões. Também queremos números para financiamento", disse Aled Williams, porta-voz do Departamento de Energia e Clima do Reino Unido. Os britânicos querem que os líderes também estabeleçam em Copenhague um prazo para o acordo final.